La Teresto
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A economia solidária
Enviado por Marie Eve em Dom, 2007-05-13 22:59.
O conceito de Economia solidária se refire a um conjunto de experiências econômicas que questiona a lógica capitalista da acumulação e toma em conta dimensões humanas além da dimensão econômica dentro dos grupos e processos de produção, comércio, distribuição de bens e serviços, e de consumo, incentivando a autogestão e a solidariedade dentro desses grupos. Falando em “dimensões humanas além da dimensão econômica”, se entende a valorização das relações solidárias, ou seja uma redefinição das relações entre os membros dos grupos no que tem a ver com a organização da produção e os comportamentos de consumo, visando a autonomia e o bem-estar de todos em vez do enriquecimento de uma minoria, segundo a lógica capitalista. Autogestão e solidariedadeA idéia de autogestão dos grupos de economia solidária implica a completa igualdade de direitos dos membros dentro da organização: igual repartição da propriedade no caso de uma organização produtiva, igual direito de participação nas decisões e na escolha de representantes políticos. À idéia de solidariedade se contrapõe as idéias de individualismo e competitividade do capitalismo. Justamente, outra especificidade da economia solidária é que ela se destine de modo geral a população trabalhadora, com ênfase na ajuda aos mais desfavorecidos. Isso significa que a idéia é incentivar a formação de empreendimentos de economia solidária por desempregados, empregados em situações críticas, e pobres em geral. Quatro dimensões da Economia solidáriaEncima apresentados os princípios de base da economia solidária, outras especificações podem permitir um enteendimento mais profundo do conceito. A Professora Ana Mercedes Sarria Icaza , no contexto do Ciclo de Debates Socioambientais do DESMA/PGDR-UFRGS, apresentou sob o tema da “Economia solidária” quatro dimensões comuns dentro da variedade dos conceitos da ES. A dimensão teórica e de projeto apresenta a ES como ambos construção teórica crítica do modelo dominante e proposta concreta de modelo aplicável na prática. A segunda dimensão, a sócio-econômica, fala da diversidade e heterogeneidade das experiências econômicas (várias formas de associação dos grupos, todas baseadas nos princípios da autogestão e da solidariedade; aplicadas à produção, comercialização, consumo, etc.) e campos de atuação dos atores da ES (mundo urbano popular, agrícola, sindical, etc.). A terceira dimensão sendo a sócio-política, ela se caracteriza por atores sociais que demandam novas relações e novas formas de organização. Finalmente, a quarta, a institucional, implica ações e políticas de estado para promover, incentivar as formas de organização associativa como alternativas ao desenvolvimento socio-econômico. Existem várias formas de empreedimentos de organização solidária: cooperativas de pequenos produtores autônomos, cooperativas de habitação, de compras, de crédito, de poupança, clubes de troca, etc., segundo o contexto e as necessidades do grupo. Desenvolvimento e Economia solidáriaRelacionando os dois conceitos, “desenvolvimento” e “economia solidária”, podemos considerar a ES como proposta de “nova economia”: na atual crise do capitalismo, abre-se a possibilidade de emergência de um modo de produção associado. Nesse sentido, a força da ES seria mais pedagógica que econômica, ela serve para aprofundar formas de “sociedade autônoma à margem da economia dominante”. Concretamente, de maneira em criar uma resistência a esse modo de vida, é preciso fortalecer experiências concretas, desenvolver redes, "cadeias produtivas" e "arranjos produtivos locais". Principais desafiosOs desafios da ES como alternativa ao modo de vida capitalista são vários. Primeiro, internamente, é preciso tomar em conta a pluralidade dos empreendimentos e das experiências. Segundo, tem que lidar com a fragilidade econômica deles, pois muitas vezes a experiência na realização dessas novas formas de empreendimentos é reduzida: não existe uma metodologia própria, uma experiência coletiva no contexto atual. Um dos maiores desafios para a ES é aquele da autonomia. Como desenvolver empreendimentos de ES sem impor-lhes e de maneira que o grupo alvo se aproprie esse modo de organização e se volte autônomo? Também, um projeto há de ser uma resposta a uma necessidade da população local. Caso contrário, as probabilidades são que a população não se apropriará do projeto pois não vê a necessidade daquilo, e depois da implementação do projeto, quando os articuladores forem embora, o projeto cair. Para um projeto ser viável e duradouro, melhor ter certeza de que o projeto proposto é uma resposta a uma demanda local. O presente texto foi tirado de um trabalho que apresentei na disciplina "Seminário de sociologia III : Desenvolvimento e Projetos Sociais" da Faculdade de Ciências Sociais da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). O trabalho foi feito sobre a meta de Economia solidária de um projeto visando o desenvolvimento rural sustentável no Município de Maquiné (O trabalho completo está anexado).
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