História da fundação da associação L'Être Terre

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Isto é uma apresentação das razões (pessoais) que me levaram a participar da fundação da associação L'Être Terre. Apresento-lhes a evolução da idéia sob forma de história, onde as idéias e as realizações se conectam, como as percebi. Sintam-se a vontade de me contatar ou escrever textos em resposta. Obrigado.


L'Être Terre, por quê ?

Regresso à casa

Após um intercâmbio estudantil na Ásia, que se revelou extremamente interessante mas limitado quanto aos contatos com os habitantes, o meu desejo de experimentar a vida numa comunidade afastada da "civilização" era mais forte do que nunca. A minha irmã Vickie e eu tí­nhamos compartilhado várias discussões a propósito da vida tribal na Indonésia, de vida em sítios no Japão e várias outras idéias interessantes. Ambos já tí­nhamos experiências de viagens. Sab­amos que desejávamos viver uma aventura de integração e adaptação a um outro modo de viver. Após a avaliação do nosso orçamento e das possibilidades, decidimos ser voluntários numa fazenda orgânica que pratica a rearborização no Costa Rica (através da organização WWOOF: World-Wide Opportunities on Organic Farms).

De novo a aventura

Sem dar-se conta, criamos uma imagem mental muito bonita do que ia ser a fazenda para a qual estávamos indo. Tí­nhamos desenvolvido, mesmo sem querê-lo, expectativas. Graças à sorte que nos prossegue infatigavelmente, não nos decepcionamos! Os nossos hóspedes, a fazenda, os animais: todo era simples, suave, simpático. Aprendemos muito na realização do trabalho: chegava a ser calmante. Finalmente, foi para nós uma terapia natural incrí­vel. De manhã, acordar com o sol. De dia, aproveitar do seu calor e dos seus raios para trabalhar a terra, cuidar dos animais e compartilhar refeições junto com os nossos colegas. Á noite, tomar banho de rio, diminuir as suas atividades progressivamente até o último raio de sol, e ler umas páginas à luz duma vela e observar as estrelas até cai na cama, esgotado da intensidade do dia. Foi para nós uma revelação: por último t­ínhamos encontrado a vida simples. Uma vida ao ritmo da natureza. Trabalhar junto com ela e para ela, para que ela nos alimente dos seus frutos.

A vida simples

O que mais percebi nesta experiência é a ausência de estresse. Todo dia podia fazer o que me dava vontade. Todo o que a gente precisava, o fabricava, o encontrava ou simplesmente deixava de querê-lo. O prazer, o sabor das coisas se tornava cada vez mais intenso, até cada pequena felicidade se tornava uma jóia, uma pérola a saborear. É este estado de esp­írito que chamo de "serenidade". A doçura de viver; uma infinidade de projetos e uma evolução com respeito ao meu ritmo pessoal, sincronizado com o da terra.

Outros seres com quem colaborar

Durante nossa estadia em Costa Rica, encontrei Valérie, uma amiga de Vickie, que compartilhava os nossos valores e que experimentou junto com a gente as alegrias da vida na natureza. Durante a viagem, Valérie e eu descobrimos autores que confirmaram a nossa opinião sobre o reduzo do consumo, os prazeres da vida simples e sobre o imperativo de juntar a humanidade, os seres vivos e o seu ambiente num único conjunto, cooperativo. (Agora por diante, “nós” corresponde a Vickie, Valérie e eu.)

Edmond, apaixonado pela vida

O primeiro autor é Edmond Bordeaux Szekely. O seu livro "Cosmos, Man and Society" explica as bases de uma reflexão que dirige os humanos para a terra, para o seu prazer e, ainda mais concretamente, para a sua sobrevivência ao longo prazo. Representa um autor perspicaz e inspirado, que denuncia a poluição e as práticas abusivas desde o começo do século passado (1920). Fundará logo "International Biogenic Society", que propõe ainda hoje uma maneira de viver integralmente natural, criativa e inspiradora. Resumindo, é um autor que possui forças e fraquezas, mas cuja intuição é impressionante!

Jared, corajoso erudito

O segundo autor descoberto ao longo da nossa viagem é Jared Diamond. Este incrí­vel erudito nos propõe um estudo detalhado dos mecanismos de evolução das sociedades humanas; um estudo histórico que nos permite entender o presente. Além disso, a sua obra introduz o leitor a vários povos, realidades históricas e outros mistérios. Consegue, apesar do extremo rigor cientí­fico dele, a comunicar a paixão das lí­nguas, das culturas e dos diferentes ambientes da terra. Verdadeira sí­ntese da última dezena de milhares de anos sobre a terra (se for possí­vel), este livro propõe uma teoria que desmistifica as desigualdades e acaba com o racismo. Um incontornável!

Retorno à casa

Todas as experiências influenciaram a minha maneira de viver. Já simples, me tornei ainda mais... Após o meu regresso, num impulso de energia sã e brilhante, aplicava em vários aspetos da minha vida as lições de simplicidade, conservação da natureza e outras sabedorias que tive a sorte de aprender. Pensava nos princí­pios de permacultura que tinha aprendido antes da minha viagem. Queria aplicá-los continuadamente.

Os sítios de simplicidade

Após alguns tempos, recebimos notí­cias do sítio onde estivemos trabalhando no Costa Rica. Nossos amigos nos contaram que haviam sido excluí­dos da rede Wwoof por ter pedido um suplemento monetário para o alojamento e a alimentação dos estagiários. Fiquei literalmente sem palavras. Estas pessoas realmente têm necessidade desse dinheiro para eles e o sítio sobreviverem. No entanto, a polí­tica de Wwoof é clara: trabalho contra alojamento, nenhum dinheiro implicado. Achamos esta polí­tica muito prejudicial, porque de acordo com o nosso ponto de vista, os sítios mais interessantes são os que pedem um pequeno pagamento (porque tem vários!). Na verdade, são os sítios menores: familiares, pequena produção, na maioria dos casos não muito rentável, se concentram na variedade (e a qualidade) em vez da quantidade. São verdadeiras bibliotecas vivas ! Além disso, acredito que a maioria dos estagiários prefirem ter uma relação profunda com os seus hóspedes a ser um banal empregado duma empresa de produção ecológica de massa. Dessa maneira nasceu a idéia de criar uma nova associação para acolher as fazendas rejeitadas por Wwoof.

Uma idéia

Como sempre no começo dum projeto, a nossa idéia evoluiu muito, até incluir uma grande variedade de atividades. Á final de contas, abrimos várias possibilidades, e acabamos criando uma associação no coração duma tela que toque várias esferas da vida: a sabedoria de viver, o conhecimento, a saúde, a espiritualidade, a natureza, as artes, finalmente, qualquer coisa que nos torna feliz! Tudo isso num ambiente internacional, com o objetivo de compartilhar as culturas, as lí­nguas e de reunir os humanos arredor de objetivos comuns. Sempre é mais fácil falar da vida simples do que vivê-la. A gente quis criar um instrumento que ajudaria as pessoas a passar das palavras para a ação.

L'Être Terre

A associação L'Être Terre se torna - além dum trampolim para qualquer pessoa que detém uma idéia de projeto em relação com a nossa missão, que deseja adquirir conhecimentos ou viver uma aventura - um meio pelo qual são transmitidos valores essenciais à sobrevivência da raça humana sobre a terra.

A sobrevivência agradável dos humanos sobre a terra

Este esforço - além do prazer que nos traz a realização desse projeto - é fundamental na prevenção e consertação dos problemas ambientais que ameaçam a saúde do planeta. Os recentes estudos cientí­ficos são simplesmente alarmantes. Sugerimos, no entanto, continuar a ser felizes e conscientes, mas é preciso adotar a simplicidade e redescobrir a alegria nas coisas simples: a mútua ajuda, o compartilhamento, a realização pessoal, o conhecimento e a integridade.

Primeiro uma questão de conhecimentos, logo de escolhas

Segundo minhas observações, a sede dos seres humanos é insaciável. Quem quer voltar para trás? Quem quer se privar do conforto de hoje? Gosto, por meu lado, de colocar a pergunta desse jeito: Quem deseja gozar da vida, autentica - sem comprometer o futuro do planeta - e em harmonia com o seu próximo? Quem deseja ser honesto e recusar ajudar os que destroem a vida? Quem sonha de integridade, unidade, serenidade, simplesmente de ser feliz?

Precisamos de "raízes"

Acredito profundamente que é benéfico procurar soluções a longo prazo aos problemas da terra. Não só afastar os problemas com soluções imediatas sem alteração dos nossos valores profundos e hábitos. Acho tal atitude simplesmente perigosa, pois dessa maneira arriscamos muito: novos problemas reaparecerão sempre, pois são criados pela corrida pelo consumo. A terra é a nossa embarcação espacial ideal no universo. Devemos nos adaptar a ela, ou vamos desaparecer. A alegria de viver simplesmente existe, então porque não consertar os problemas de uma vez? Sim, começamos por tentar.

Yan Levasseur

Fundador da Associação O Ser Terra,
Simplesmente feliz.